Franquia no seguro de frota: funcionamento, impactos e quem arca com o custo

Franquia no seguro de frota é um conceito recorrente em operações com múltiplos veículos, mas nem sempre fica claro quem arca com esse custo quando há sinistros. A compreensão de como funciona a franquia no seguro de frota é essencial para a gestão de custos de toda a operação. Entender o que está incluso na apólice, como é calculada a franquia e em quais situações ela é acionada ajuda a reduzir surpresas no fluxo de caixa, a planejar investimentos em prevenção e a estruturar políticas internas que afetam motoristas, gestores e a própria estratégia de compra de seguros. Abaixo apresento um guia educativo para apoiar empresas que gerenciam frotas, motoristas e ativos de transporte, com foco prático na tomada de decisão e na gestão de custos.

O que é franquia no seguro de frota

A franquia é a parcela do valor que deixa de ser indenizada pela seguradora e, portanto, fica a cargo do segurado (ou do responsável definido pela apólice) em cada sinistro. Em termos simples, quando ocorre um dano coberto pela apólice, a seguradora paga a indenização correspondente ao dano apurado menos o valor da franquia. Existem diferentes formatos de franquia, que costumam variar conforme o tipo de veículo, o segmento da frota e o perfil de risco da empresa. Entre os formatos mais comuns estão a franquia fixa (valor definido em reais por sinistro) e a franquia percentual (percentual do valor do sinistro). Em muitos contratos de seguro de frota, a franquia não é única para toda a frota: pode haver regras diferentes para danos a bens segurados, colisões, danos a terceiros ou até mesmo para sinistros causados por motoristas específicos.

Franqui­a no Seguro Frota: como funciona e quem paga – empresa ou motorista?

É fundamental que o gestor compreenda que a franquia não tem relação direta com o valor do prêmio apenas; ela impacta diretamente o custo efetivo de cada sinistro e, consequentemente, o custo total de operação da frota. Enquanto franquias mais altas costumam reduzir o prêmio, elas elevam o custo operacional imediato no momento de um sinistro. Já franquias mais baixas tendem a aumentar o valor mensal do seguro, mas reduzem a exposição financeira da empresa quando há danos. A escolha entre franquia fixa ou percentual deve levar em conta o histórico de sinistros da frota, a capacidade de manter o fluxo de caixa estável e as metas de gestão de risco da organização.

Quem paga a franquia: empresa ou motorista?

Essa é uma das questões centrais na gestão de frotas. Em muitos contratos, a gestão da franquia envolve decisões que impactam direta ou indiretamente a remuneração de motoristas, o orçamento da empresa e as políticas de compliance. Abaixo estão os cenários mais comuns:

  • Franquia sob responsabilidade da empresa: a própria organização assume o custo da franquia em todos os sinistros, seguindo as regras da apólice. Esse arranjo costuma ser adotado quando a ideia é manter o controle de custos do seguro dentro da gestão de ativos e reduzir o impacto financeiro direto para motoristas, especialmente em frotas com alta rotatividade ou com contratos onde o benefício de condução segura não é suficiente para compensar descontos de remuneração.
  • Franquia repassada ao motorista: algumas políticas internas destinam o repasse da franquia aos condutores, seja por meio de descontos na remuneração, reembolso ou dedução em pagamentos de diária/viagens. Esse modelo pode funcionar bem quando há incentivos para reduzir a frequência de sinistros, aumentar a disciplina de condução e disciplinar o uso de veículos, desde que haja transparência, limites legais e regras claras para evitar disputas.
  • Divisão por tipo de sinistro: em parte das apólices, a franquia pode variar conforme o tipo de dano. Por exemplo, colisões com danos ao veículo podem ter uma franquia de um valor fixo, enquanto danos a terceiros podem ter outra regra. Esse arranjo exige uma gestão mais cuidadosa, com clareza documental sobre qual tipo de sinistro está em vigor e como a cobrança será efetuada.
  • Redução ou ajuste mediante programas de conduta: alternativas para reduzir ou estabilizar franquias envolvem programas de condução segura, manutenção preventiva, treinamentos para motoristas e acordos com a seguradora para bonificar boas práticas. Nesses casos, a franquia pode ser ajustada de modo escalonado conforme o cumprimento de metas, o que gera benefícios tanto para a empresa quanto para os motoristas.

Impacto financeiro para a operação

A franquia, como elemento de custo em sinistros, afeta diretamente a experiência de dinheiro de uma frota. Quando a franquia é paga pela empresa, o custo financeiro de cada sinistro não é apenas o dano estimado; é também o valor que fica para trás, absorvido pela gestão de custos. Em operações com grande volume de sinistros, mesmo pequenas franquias podem se acumular em um orçamento anual significativo. Por outro lado, quando a franquia é repassada aos motoristas, a empresa pode experimentar uma melhoria de fluxo de caixa no curto prazo, porém corre o risco de desmotivação, aumento de custos para o motorista e conflitos internos se não houver uma política de comunicação clara. Além disso, é relevante observar que a decisão sobre quem paga a franquia pode influenciar outras variáveis da gestão de frota, como o nível de sinistralidade, as práticas de manutenção dos veículos, a qualidade do treinamento de condutores e os indicadores de performance da equipe de operações.

Para ilustrar, considere dois cenários hipotéticos para uma frota de 50 veículos, com histórico anual de 12 sinistros de razoável gravidade. No primeiro cenário, a franquia é fixa em R$ 3.000 por sinistro e a empresa assume o custo; no segundo, a franquia é repassada aos motoristas com um acordo de desconto salarial de R$ 3.000 por sinistro. Suponhamos que o sinistro típico gere danos que, sem franquia, teriam custado R$ 15.000. No cenário 1, o custo adicional anual de franquias para a empresa seria de R$ 36.000 (12 sinistros x R$ 3.000). No cenário 2, o custo imediato para a empresa de sinistros permanece igual, mas o desconto aos motoristas pode impactar a motivação e a retenção, dependendo de como o programa é estruturado. Em termos de orçamento, a diferença não é apenas numérica: envolve também a gestão de pessoas, a comunicação interna e o alinhamento de metas de segurança.

É comum que empresas façam simulações de custo total de propriedade (TCO) envolvendo prêmios, franquias, manutenção, sinistralidade e custos operacionais para tomar a decisão mais adequada à sua realidade. Em alguns casos, a solução ideal é uma combinação: manter uma franquia mais baixa para casos de alta gravidade, associando-a a incentivos de redução de sinistros para motoristas, ou estabelecer faixas de franquia diferenciadas por tipo de veículo ou por centro de custo da frota. A personalização da apólice, com regras claras sobre quem paga o quê e em quais circunstâncias, é uma ferramenta poderosa para manter o controle financeiro sem abrir mão da proteção necessária.

Exemplos práticos e a influência da escolha da franquia

Para tornar o tema mais claro, pense em dois cenários com uma frota padrão de veículos médios, onde a empresa opera com uma franquia fixa de R$ 2.000 por sinistro, e outra situação com franquia percentual de 5% sobre o valor do sinistro. Em caso de colisão que envolve danos ao veículo de R$ 20.000, o custo com a franquia seria:

• Franquia fixa de R$ 2.000: a seguradora indeniza até o teto do dano, menos R$ 2.000. Ou seja, o sinistro geraria R$ 18.000 de indenização pela seguradora. O custo efetivo para a empresa, dependendo da política, seria o valor da franquia mais qualquer custo adicional de adaptação ou reparo que não esteja coberto pela apólice.

• Franquia de 5%: para o mesmo dano de R$ 20.000, a franquia seria de R$ 1.000. A indenização pela seguradora seria de R$ 19.000. Nesse caso, a franquia é menor em comparação com a opção fixa, o que pode reduzir o desembolso da empresa no sinistro. No entanto, se o valor do sinistro aumentar, a franquia percentual também aumenta, o que pode trazer uma exposição maior para a organização.

Em casos de danos a terceiros, a prática também varia: algumas apólices delimitam que a franquia se aplica apenas aos danos ao veículo segurado ou à parte de responsabilidade após indenização por terceiros. Em operações com grande foco em terceiros, é comum que a empresa adote estratégias diferentes para cada tipo de dano, com o objetivo de equilibrar a proteção do patrimônio com o custo administrativo.

Tipos de franquia e seus impactos

Tipo de franquiaCaracterísticasImpacto financeiroQuando escolher
Franquia fixaValor específico em reais por sinistro (ex.: R$ 2.000). Indenização reduzida por esse valor.Previsibilidade: facilita o planejamento; tende a reduzir o prêmio quando o histórico de sinistros é baixo.Frotas com controle de danos estável e necessidade de previsibilidade de custos.
Franquia percentualPercentual do valor do sinistro (ex.: 5%). Indenização reduzida pela fração correspondente.Mais responsiva a danos grandes; pode aumentar o custo em sinistros de alto valor.Frotas com boa gestão de riscos que aceitam variação de custos conforme o porte do dano.

Como a franquia é acionada na prática

Quando ocorre um sinistro, a seguradora avalia o dano e, conforme o contrato, aplica a franquia correspondente. Em termos operacionais, o fluxo costuma seguir estas etapas: notificação do sinistro; abertura de processo pela seguradora; avaliação do dano por perito; apuração do valor de indenização; dedução da franquia conforme o tipo de franquia contratado; pagamento do valor restante ao tomador ou à empresa; e, finalmente, comunicação aos interessados. Em muitos contratos, o valor da franquia é deduzido do montante pago pela seguradora, o que significa que a empresa não recebe o valor total da indenização, e o custo efetivo do sinistro é o valor da franquia mais o valor não indenizável.

É essencial que haja documentação clara: quem dirigia no momento do sinistro, o tipo de dano, as circunstâncias do acidente, a existência de testemunhas, fotos e laudos. A clareza documental evita disputas futuras sobre cobrança de franquia e facilita a auditoria interna de custos. Além disso, sociedades com programas de gestão de frota tendem a revisar periodicamente as políticas de franquia, especialmente quando há mudanças na legislação, na economia ou na própria estrutura de custos internos.

Dicas para reduzir o custo efetivo da franquia

Para quem busca equilíbrio entre proteção adequada e controle de custos, algumas estratégias costumam trazer resultados consistentes. Aqui vão sugestões práticas, sem perder de vista a segurança operacional:

• Avalie o histórico de sinistros da frota ao comparar propostas de seguro. Flechas de melhoria podem incluir franquias menores para veículos com menor propensão a danos graves, aliados a programas de condução segura e manutenção preventiva mais rigorosa.

• Considere a combinação de franquias: manter uma franquia fixa moderada para a maioria dos sinistros e permitir franquias menores para casos de danos de menor monta pode reduzir o custo total de sinistralidade sem elevar o prêmio de forma desproporcional.

• Estabeleça políticas claras de uso de veículo e treinamento de motoristas. O treinamento contínuo, a orientação sobre limites de velocidade, práticas de condução segura e manutenção preventiva ajudam a reduzir a frequência e a severidade dos sinistros, o que, por consequência, pode permitir condições mais favoráveis de franquia com o tempo.

• Promova a participação dos motoristas em programas de incentivos por sinistros zero ou por melhoria de indicadores. Quando bem estruturados, esses programas reduzem o custo de franquia ao longo do tempo, pois incentivam comportamentos que reduzem a frequência de acidentes e a gravidade dos danos.

• Negocie com a seguradora ao renovar a apólice, especialmente se a frota tem melhorias significativas no gerenciamento de risco. Dados de desempenho, histórico de manutenção, políticas de segurança e a efetiva implementação de treinamentos podem justificar ajustes nas condições da franquia ou nos prêmios e ajudar a alcançar condições mais favoráveis para a empresa e, se houver, para os motoristas.

Em resumo, a escolha da franquia envolve trade-offs entre custo de prêmio, exposição financeira em caso de sinistro e impacto operacional. Ao alinhá-la com a estratégia de gestão de risco da empresa, é possível manter um nível adequado de proteção aos ativos, sem que o custo de seguro se torne um entrave operacional.

Outro ponto relevante é o papel da gestão de frotas na definição de políticas de uso de veículo. Limitar, por exemplo, quem pode dirigir determinados veículos da frota, estabelecer regras de manutenção de rotina, e implantar telemetria para monitorar hábitos de condução, pode ser decisivo para reduzir a frequência de sinistros e, consequentemente, a experiência financeira com franquias. Quando a frota opera sob regras claras e consistentes, é comum observar melhoria na performance de sinistros e, por consequência, oportunidades de negociação com as seguradoras na renovação de contratos.

Por fim, vale lembrar que cada apólice é única. Mesmo que duas frotas pareçam semelhantes, as cláusulas, exclusões, limites de cobertura e regras de franquia podem variar significativamente. Por isso, a leitura atenta do contrato, com apoio de um corretor especializado em seguros de frota, é essencial para entender exatamente como a franquia será aplicada em cada tipo de sinistro e quais políticas internas devem ser adotadas para otimizar custos.

Ao final do processo de avaliação, muitas empresas descobrem que a franquia não é apenas um valor a ser pago em caso de acidente, mas sim uma ferramenta para gestão de risco que pode ser calibrada para incentivar boas práticas, reduzir a sinistralidade e manter a frota operando com alta disponibilidade. A chave está em alinhar as escolhas de franquia com a realidade operacional, a capacidade de gestão de risco e as metas de custo total da frota.

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