Principais exclusões que costumam aparecer no Seguro Risco de Engenharia

O Seguro Risco de Engenharia tem como objetivo proteger obras, equipamentos e toda a mise-en-place de um projeto de construção ou montagem contra perdas materiais decorrentes de eventos cobertos. Contudo, como qualquer seguro, ele traz limitações e exclusões que, se não compreendidas, podem gerar lacunas de proteção.Reconhecer o que normalmente não está coberto ajuda equipes técnicas, gestores de obra e investidores a planejar estratégias alternativas de proteção, acionar coberturas adicionais quando cabível e evitar surpresas negativas durante a execução do empreendimento.

1) Riscos de guerra, terrorismo e ações similares

  • Atos de guerra, hostilidades abertas, invasões, rebeliões e atos de terrorismo organizados costumam ficar expressamente excluídos das apólices básicas. Esses eventos podem provocar danos de difícil avaliação imediata e requerer cobertura específica, muitas vezes disponível apenas mediante cláusulas adicionais ou contratos de seguro com cobertura internacional.
  • Sabotagem ou confisco por autoridades, ocupação, expropriação ou interrupção forçada de obras são também tratadas como exclusões típicas, principalmente quando envolvem influências políticas ou ações de terceiros com poder público. Em muitos casos, é preciso solicitar uma cobertura específica para riscos de intervenção governamental, caso o contrato permita.
  • Rotas de mitigação: para obras sensíveis ou localizadas em regiões com maior risco geopolítico, a contratação de coberturas específicas para riscos de conflito pode ser mandatório, especialmente em grandes empreendimentos de infraestrutura. Sem isso, os danos provocados por ações desse tipo podem ficar fora da proteção do seguro principal.

2) Desastres naturais e eventos catastróficos

  • Terremotos, tsunamis, inundações, deslizamentos de terra, furacões, tufões e outros fenômenos naturais costumam aparecer nas listas de exclusões ou de coberturas limitadas. Em muitas apólices, esses riscos podem ser cobertos apenas mediante anexos específicos, com limites, franquias e regras distintas. A ausência de cobertura adequada para desastres naturais pode deixar o projeto vulnerável a prejuízos significativos.
  • Erupsões vulcânicas, grandes tempestades com impacto direto na obra, alagamentos causados por inundações repentinas ou desastres hidrológicos também costumam figurar como exclusões, salvo quando a apólice prevê uma seção de cobertura de risco natural ou quando o cliente adiciona uma extensão de cobertura para esse perfil de evento.
  • Perdas indiretas associadas a desastres naturais, como interrupção de obras por paralisação prolongada, podem exigir coberturas adicionais de continuidade de obras, já que a exclusão recai sobre danos diretos ao bem segurado, não sobre impactos econômicos secundários. Planejar com uma seguradora sobre tais extensões evita lacunas importantes.

3) Desgaste, deterioração e falha de materiais ou componentes

  • Desgaste natural, envelhecimento de estruturas, corrosão, fadiga de materiais, falhas de solda, fissuração de concreto e degradação de componentes por uso contínuo não costumam estar cobertos. Esses eventos são inerentes ao ciclo de vida de obras, especialmente em ambientes agressivos (mar, indústria química, mineração) e em grandes estruturas sujeitas a esforços cíclicos.
  • A perda decorrente de deterioração gradual é diferente de um dano súbito e acidental. Enquanto quedas pontuais ou impactos podem ser contemplados pela apólice, o processo de deterioração que se revela ao longo do tempo normalmente fica fora da cobertura, a menos que haja cláusula específica que aceite esse tipo de evento como acidente coberto, com limites definidos.
  • Para evitar lacunas, muitos projetos optam por combinar o Seguro Risco de Engenharia com coberturas complementares de inspeção, manutenção preditiva, controle de corrosão e garantia de materiais, que ajudam a mitigar efeitos de desgaste sem transformar o dano em uma exceção de cobertura.

4) Defeitos de projeto, cálculos, especificações e erro de engenharia

  • Defeitos em projeto, cálculos estruturais incorretos, especificações inadequadas ou erros de engenharia que gerem danos à obra costumam ficar fora da proteção, salvo se a apólice prever expressamente cobertura para “falhas de projeto” como quebras de garantia ou se houver extensão contratual específica para esse risco.
  • Quando o erro decorre de decisões do próprio contratante ou de consultores externos, as cláusulas de exclusão costumam tornar o seguro insuficiente para cobrir consequências diretas de tais falhas técnicas. Nesse cenário, pode ser útil considerar um seguro distinto de responsabilidade profissional (PI) ou uma cláusula de “design risk” dentro do próprio contrato com o fornecedor de seguro.
  • É comum que danos ocasionados por erro de projeto se manifestem apenas após falhas mecânicas, colapsos parciais ou danos a elementos adjacentes; por isso, é crucial esclarecer no contrato quais eventos são considerados “danos de construção” cobertos em comparação com falhas de projeto que não estejam cobertas pelo risco principal.

5) Erros de execução, construção e montagem

  • Defeitos ou falhas de construção decorrentes de execução inadequada, técnicas de montagem incorretas, violação de normas técnicas, uso de métodos incompatíveis com o projeto ou supervisão insuficiente muitas vezes não estão cobertos pelo seguro principal. A responsabilidade por tais falhas pode recair sobre a empreiteira, o projetista ou o fabricante de componentes.
  • Riscos de incompatibilidade entre materiais e métodos de execução (por exemplo, incompatibilidade entre estruturas metálicas e elementos de vedação ou entre sistemas de proteção passiva) costumam exigir análise cuidadosa de cobertura, com possível necessidade de extensões que contemplem danos causados por falha de montagem ou de compatibilidade de componentes.
  • Para reduzir a probabilidade de exclusões nessa área, é comum exigir planos de qualidade, inspeções de terceiros, certificações de materiais, acompanhamento de obra e garantias técnicas que possam ser integradas à apólice por meio de riders ou coberturas adicionais.

6) Manutenção inadequada, uso inadequado ou operação posterior à conclusão

  • Danos provocados por falhas de manutenção inadequada ou pela utilização de equipamentos de forma irregular não costumam ser cobertos. A responsabilidade pela manutenção adequada, calibração de equipamentos, reposição de peças e aplicação de manuais de operação recai sobre o proprietário do empreendimento ou o operador, que deve manter planos de manutenção atualizados.
  • Prolongar ou alterar a função original da obra sem aprovação pode gerar exclusões caso os danos ocorram como resultado de tais alterações. Emergir de mudanças de uso sem o devido consentimento da seguradora costuma anular a cobertura para os danos que decorrem dessas alterações.
  • É comum que as apólices prevejam ainda exceções para danos causados por falha humana simples, negligência ou negligência grave, o que reforça a importância de uma gestão de riscos robusta como parte das operações do empreendimento.

7) Danos causados por falha de terceiros, vandalismo e atos de terceiros

  • Danos provocados por pessoas que não são parte do contrato original — como vandalismo, pilhagem ou atos dolosos de terceiros — podem ficar excluídos, especialmente quando não há vínculo entre o segurado e os agentes externos. Em obras com alto risco de vandalismo ou roubo, a contratação de cobertura adicional contra violência, vandalismo ou risco de roubo pode ser necessária para ampliar a proteção.
  • Assaltos a obra, danos causados por atividades de trabalhadores não autorizados ou por falhas de controle de acesso costumam ser tratados como exclusões ou como eventos que exigem extensões específicas da apólice.

8) Riscos cibernéticos e interrupção de sistemas tecnológicos

  • Interrupção de sistemas de gestão de construção, automação, monitoramento de qualidade ou controle de processos por falhas de software, vírus ou ciberataques nem sempre está coberta pelo Seguro Risco de Engenharia tradicional. Embora muitos projetos hoje utilizem tecnológica de ponta, a proteção de ativos digitais costuma exigir coberturas separadas, com avaliação de risco cibernético, backups, planos de recuperação e limites compatíveis com a criticidade dos sistemas.
  • Além disso, danos decorrentes de mau funcionamento de equipamentos tecnológicos (por exemplo, sistemas de monitoramento de integridade estrutural) podem não estar incluídos se o evento que causou o dano for classificado como falha de software ou de hardware não relacionado a um evento físico clássico previsto na apólice.

9) Exclusões relacionadas à responsabilidade civil não coberta pelo contrato

  • O seguro de risco de engenharia costuma privilegiar danos diretos à obra ou a componentes instalados, não cobrindo automaticamente responsabilidade civil por danos a terceiros. A responsabilidade civil de obra pode exigir coberturas separadas ou anexas, dependendo da estrutura contratual e das exigências do cliente. Sem uma extensão específica, danos a terceiros ou prejuízos econômicos decorrentes de incidentes podem não estar cobertos pelo seguro de risco de engenharia.
  • Quando o contrato exige proteção de responsabilidade civil específica (RC de obra), é comum que as seguradoras ofereçam módulos adicionais ou apólices combinadas que contemplam tanto danos materiais quanto a responsabilidade decorrente de danos a terceiros. A falta de uma RC complementar pode gerar lacuna de proteção em cenários em que danos indiretos ou consequências legais se tornem relevantes.

10) Fraude, declarações falsas e ocultação de informações

  • Exclusões por fraude, declarações falsas ou ocultação de informações relevantes na proposta de seguro são comuns. Se o segurado não fornecer dados precisos sobre o projeto, o local, a natureza da obra, o histórico de sinistros ou as condições de risco, a seguradora pode negar cobertura ou reduzir os pagamentos de indenização. Transparência e melhoria contínua de dados de risco são fundamentais para manter a proteção efetiva.

11) Exclusões específicas por tipo de obra ou setor

  • Obras de infraestrutura crítica (como rodovias, pontes, barragens) costumam ter exclusões mais rigorosas em relação a certos riscos, com exigência de coberturas adicionais para aspectos específicos, como eventos de queda de materiais, danos a comunidades adjacentes, ou impactos ambientais.
  • Indústrias com riscos químicos, petroquímicos ou energéticos podem ter exclusões ligadas a explosões, vazamentos tóxicos ou contaminação ambiental. Nesses cenários, o contrato pode exigir extensões de cobertura com limites e franquias superiores, bem como planos de emergência e mitigação de impactos.
  • Projetos de construção com equipamentos especializados, como turbinas, geradores de alta potência, ou unidades de produção temporárias, podem apresentar exclusões ligadas a condições específicas de operação, tempo de inatividade ou falhas de componentes críticos que exigem garantias técnicas adicionais.

Observação prática: entender as exclusões ajuda a compor a estratégia de proteção adequada. Em muitos casos, a solução envolve combinações de coberturas, riders específicos e a adoção de práticas de gestão de risco integradas ao contrato de seguro.

Como lidar com as exclusões na prática

  • Leitura detalhada da apólice: antes de assinar, verifique o que está excluído, o que está coberto e quais condições geram neutralização de cobertura. Preste atenção a definições de eventos cobertos, limites por evento, franquias e sublímite para obras em diferentes fases.
  • Extensões relevantes para o seu projeto: para obras com alto risco de desgaste, surgimento de falhas de projeto ou mudanças de escopo, avalie a viabilidade de riders que ampliem a proteção para falhas de projeto, deterioração de materiais, danos causados por defeitos de montagem ou falhas de execução.
  • Planejamento de mitigação: combine o seguro com práticas de gestão de risco, inspeções técnicas independentes, certificações de qualidade de materiais, controle de alterações de projeto, e planos de contingência para eventos extremos. A prevenção redunda em menor probabilidade de sinistros e maior efetividade da cobertura quando necessária.
  • Cláusulas de responsabilidade e garantias: garanta que o contrato prevê responsabilidades compartilhadas entre contratantes, projetistas e fornecedores, com clareza sobre quem arca com custos de reparo em cada cenário. A proteção do seguro se completa com uma gestão adequada de responsabilidades.

Para projetos complexos, a avaliação de risco deve ser contínua. O que começou como um único contrato pode evoluir para fases subsequentes com alterações de engenharia, integrações de sistemas ou novas tecnologias. Em cada etapa, é essencial revisar as exclusões e ajustar as coberturas de acordo com o novo realinhação do risco.

Se a sua obra envolve áreas sensíveis, como petroquímica, química, ou grandes infraestruturas urbanas, é ainda mais crítico mapear com antecedência as exclusões mais relevantes e planejar contramedidas apropriadas. A boa prática inclui a participação de uma equipe multidisciplinar — engenharia, gestão de riscos, jurídico e seguradoras — para alinhar expectativas, responsabilidades e proteções disponíveis.

Outro ponto-chave é o histórico de sinistros da empresa envolvida no projeto. Um histórico com perdas passadas pode impactar tanto o valor da cobertura quanto a disponibilidade de determinadas extensões. Dependendo do perfil de risco, podem ser necessárias avaliações técnicas adicionais, garantias de qualidade reforçadas ou o estabelecimento de limites mais conservadores para determinados eventos que costumam apresentar maior frequência de ocorrências em contextos semelhantes.

Quando vale a pena buscar coberturas adicionais

  • Riscos de catástrofe natural em áreas sujeitas a eventos climáticos extremos ou risco geológico elevado exigem uma abordagem proativa, com cobertura específica para tais eventos, coparticipação ajustada e limites proporcionais ao valor da obra e ao impacto potencial.
  • Projetos com elevado risco de falhas de projeto, instalações críticas ou interfaces entre sistemas devem considerar uma extensão de “design risk” ou “falhas de engenharia” para evitar lacunas quando danos decorrentes de erro de projeto surgirem.
  • Obras com alta exposição a danos causados por colaboradores terceirizados, vandalismo ou risco de roubo podem exigir percepção de cobertura para riscos de terceiros, com cláusulas que indiquem claramente como a responsabilidade civil é tratada pela apólice.

Em todos os casos, o objetivo é alinhar a proteção com a natureza específica do projeto, seu modo de execução, as regiões de atuação e o cronograma de obras. A atenção às exclusões aumenta a probabilidade de indenização efetiva quando um sinistro ocorrer e reduz a probabilidade de discussões sobre o que é ou não coberto.

Para empresas que desejam uma leitura técnica e uma avaliação prática de exclusões, a GT Seguros oferece orientação especializada na revisão de contratos de Seguro Risco de Engenharia, com foco em alinhamento entre as coberturas contratadas e os riscos reais de cada projeto. Uma análise cuidadosa pode revelar opções de extensão de cobertura, limites adequados e estratégias de mitigação que combinam proteção financeira com eficiência operacional.

Concluindo, conhecer as exclusões mais comuns do Seguro Risco de Engenharia permite replanejar o projeto com maior clareza, negociar termos mais precisos com a seguradora e, principalmente, mitigar impactos financeiros em caso de sinistro. A proteção eficaz depende de uma leitura crítica da apólice, de escolhas de coberturas complementares quando cabível e de uma gestão de risco integrada que acompanhe a obra ao longo de toda a sua duração.