Guia prático para não errar na contratação de Seguro Risco de Engenharia
Quando se fala em obras de engenharia, montagem industrial ou instalações complexas, o Seguro Risco de Engenharia surge como uma proteção fundamental para mitigar prejuízos que podem comprometer o cronograma, o orçamento e a viabilidade do projeto. Trata-se de um instrumento que prevê cobertura para danos materiais, encargos de construção, riscos de responsabilidade civil durante a fase de construção, montagem e comissionamento, além de coberturas específicas que podem ser contratadas conforme a natureza da obra. Contudo, mesmo diante de opções bem estruturadas, muitos tomadores cometem erros que restringem a eficácia da proteção ou elevam o custo sem ganhos proporcionais. Este artigo apresenta os erros mais comuns na contratação e, principalmente, como evitá-los na prática, com recomendações embasadas para quem atua em obras públicas, privadas, industriais ou de infraestrutura.
O que é e para que serve o Seguro Risco de Engenharia
O Seguro Risco de Engenharia é uma linha voltada a obras em construção, montagem, instalação e comissionamento, com o objetivo de proteger os ativos envolvidos (edificações, estruturas, equipamentos, plantas, obras civis e de engenharia) contra danos que ocorram durante a execução do projeto. Além de danos materiais diretos às obras, a apólice pode contemplar encargos adicionais em situações previstas, como paralisação de obras, custos adicionais de mão de obra ou aquisição de materiais substitutos, desde que estejam amparados pelas condições contratuais. Em muitos casos, o seguro atua ainda na cobertura de danos causados a terceiros decorrentes da atividade de construção, conforme o escopo contratado. Ou seja, a ideia é oferecer uma proteção integrada à complexidade dos riscos inerentes a um empreendimento de engenharia, reduzindo a vulnerabilidade financeira diante de imprevistos que, de outra forma, podem se transformar em prejuízos expressivos.
Erros mais comuns ao contratar
- Escopo mal definido: não delimitar com precisão quais fases, ativos e subempreiteiros estão cobertos, bem como quais trabalhos temporários e permanentes compõem o objeto segurado.
- Escolha baseada apenas no preço: priorizar o valor da cotação sem avaliar coberturas, exclusões, limites de cobertura, franquias e endossos que de fato protegem o projeto.
- Ignorar exclusões importantes: muitas apólices trazem exclusões específicas (por exemplo, certos riscos de guerra, catástrofes naturais, falhas de projeto não identificadas, obras fora de prazo sem endosso adequado, entre outros). Ignorá-las pode gerar surpresas apenas no momento do sinistro.
- Documentação insuficiente ou inadequada: a ausência de plantas, memoriais descritivos, cronogramas, lista de itens de propriedade e de subcontratados, bem como informações técnicas sobre o projeto, pode atrasar a emissão da apólice e prejudicar a avaliação de risco.
Como evitar cada erro
Como evitar o erro 1: Escopo mal definido
Para evitar o risco de escopo mal definido, é essencial iniciar com um alinhamento técnico completo entre a equipe da obra, o responsável pelo projeto e a corretora ou seguradora. Faça um mapeamento detalhado do que está incluído no contrato de seguro, incluindo fases da obra (fundação, superestrutura, acabamentos), componentes críticos (maquinários, equipamentos de montagem, materiais de alto valor), e a relação com subcontratados. Em seguida, peça à seguradora que apresente o Endosso de Escopo (quando disponível) ou um anexo que explique claramente o que está coberto e o que não está. Uma prática comum é dividir o objeto segurado por elementos: obra civil, montagem de equipamentos, instalação elétrica e hidráulica, comissionamento e testes. Dessa forma, fica mais fácil auditar durante a vigência da apólice e perceber lacunas antes que o sinistro ocorra. Além disso, mantenha um canal de comunicação aberto com o time técnico, para que qualquer alteração de escopo seja registrada formalmente na apólice, evitando que mudanças no projeto deixem de ser cobertas.
Como evitar o erro 2: Preço baixo sem avaliação de coberturas
Tomar a opção de menor preço sem avaliar, de fato, o que está incluso na apólice pode parecer economicamente atraente, mas costuma gerar riscos ocultos. Ao comparar propostas, siga um checklist simples: verifique o que está incluído em termos de danos materiais, encargos de construção, responsabilidade civil, atrasos na obra (período de interrupção das atividades), bem como as coberturas adicionais recomendadas para o seu projeto (por exemplo, cobertura para subcontratados, danos a materiais de terceiros, danos de atraso na entrega). Observe as franquias e limites de cobertura por item, por etapa da obra e por local geográfico. Em muitos contratos, a diferença entre uma proteção básica e uma proteção ampliada pode ser de apenas uma fração do custo total, mas com impacto relevante na capacidade de resposta em caso de sinistro. Além disso, avalie a reputação da seguradora em relação à liquidez de sinistros, a rede de assistência técnica, a rapidez de indenização e a disponibilidade de suporte técnico durante a execução do projeto.
Como evitar o erro 3: Documentação incompleta
A documentação é o alicerce da avaliação de risco. Sem ela, a seguradora não consegue dimensionar adequadamente o risco e pode exigir reajustes ou recusa de cobertura. Prepare com antecedência: plantas, memoriais descritivos, cronogramas de execução, listas de materiais e equipamentos, memoriais de cálculo de engenharia, estimativas de custo atualizadas, quadro de subcontratados e suas respectivas certificações, bem como informações sobre gestão de riscos (normas de segurança, planos de prevenção de incêndio, controle de poeira, descarte de resíduos). Dê especial atenção a informações sobre terceiros envolvidos na obra, como subcontratados, fornecedores e locatários temporários de equipamentos. Muitos sinistros decorrem de falhas de comunicação; quando a seguradora pergunta sobre o valor total do projeto, é comum o tomador ter apenas a estimativa inicial. Garanta números atualizados e consistentes com o valor total de construção, bem como a documentação de apoio para sustentar esses valores. Uma prática recomendada é preparar um dossiê de risco com a equipe de engenharia, o comitê de compras e o escritório de seguros, revisado periodicamente.
Como evitar o erro 4: Falta de experiência com riscos de engenharia
Riscos de engenharia envolvem particularidades que vão além de uma apólice genérica. Conte com profissionais especializados em seguros de engenharia e, se possível, com uma corretora que tenha experiência em obras semelhantes à sua. Esteja preparado para discutir cenários de sinistro, períodos de espera (carências), avaliação de perdas e métodos de indenização. Uma boa prática é solicitar à seguradora um panorama de endossos recomendados para o seu tipo de projeto, como cobertura de interrupção de construção, danos a equipamentos temporários, responsabilidade civil ampla, danos a terceiros (quando aplicável) e eventuais coberturas para riscos específicas do local (chuvas intensas, inundações, desmoronamento, etc.). Além disso, a presença de uma assessoria técnica durante a negociação ajuda a traduzir o jargão técnico para termos comprensíveis, facilitar a leitura da apólice e reduzir o retrabalho durante a assinatura. A direção correta é buscar orientação de profissionais que entendem os riscos do seu setor e o contexto do seu projeto, e que possam personalizar a proteção de forma eficiente.
Checklist rápido de verificação antes da assinatura
| Item de verificação | O que observar | Como confirmar |
|---|---|---|
| Escopo de cobertura | Clareza sobre fases, ativos e subcontratados cobertos | Solicite documento de escopo ou Endosso específico; compare com o cronograma |
| Exclusões relevantes | Conhecer deltas não cobertas pela apólice | Leia claramente o rol de exclusões e confirme com o corretor |
| Limites de cobertura e franquias | Valores máximos por risco, por item e por obra, além de franquias | Exija tabela de limites, com valores atualizados ao valor do projeto |
| Endossos e coberturas adicionais | Riscos específicos do projeto, como atraso, danos a terceiros, subcontratados | Verifique endossos disponíveis e avalie necessidade com o time técnico |
Observação importante: não adianta pagar caro se a cobertura não responde aos riscos específicos do seu projeto.
Como comparar propostas entre seguradoras
Ao avaliar propostas de seguro de risco de engenharia, não se limite ao valor da primeira parcela ou ao custo total. Considere a robustez da cobertura, a clareza do texto contratual, a facilidade de acionamento do seguro e a qualidade do suporte da seguradora durante o projeto. Avalie também a reputação da empresa em relação à liquidez de sinistros, a disponibilidade de assistência técnica no local da obra, a experiência com obras similares e a adequação de endossos às particularidades do seu cronograma (montagem, comissionamento, testes). A comparação entre propostas deve envolver, ainda, a leitura do quadro de exclusões, das limitações de responsabilidade e das condições de reajuste de prêmio conforme alterações no escopo ou no calendário da obra. Uma boa prática é solicitar uma simulação de sinistro com base no seu cenário, para entender como a seguradora conduziria a indenização em diferentes condições.
Considerações finais antes de fechar negócio
Antes de assinar qualquer contrato, revise com a equipe de engenharia, o jurídico e a área de compras todos os pontos-chave: o objeto segurado, o cronograma, o orçamento, o nível de risco do entorno da obra e a política de papéis de cada parte envolvida no projeto. Garanta a atualização da apólice sempre que houver alterações relevantes no escopo, nos prazos ou na lista de subcontratados. Lembre-se de que a cobertura adequada não é apenas uma exigência contratual; é uma salvaguarda para a continuidade do empreendimento, impactando diretamente prazos, custos e confiabilidade do resultado final. Uma leitura atenta da apólice, a checagem de endossos necessários e a validação com uma corretora especializada reduzem drasticamente a possibilidade de surpresas desagradáveis durante a vida útil da obra.
Para conhecer propostas alinhadas ao seu projeto, peça uma cotação com a GT Seguros.
