Como funciona o fluxo de atendimento de sinistros em Seguro de Risco de Engenharia

O Seguro de Risco de Engenharia é uma linha específica pensada para obras, empreendimentos e atividades técnicas que envolvem estruturas, edificações, instalações industriais e projetos de engenharia. Por lidar com operações complexas, o processo de sinistro acompanha um protocolo estruturado para assegurar que danos, responsabilidades e perdas sejam avaliados com rigor técnico e que a indenização ocorra de forma ágil e dentro das coberturas contratadas. Este artigo apresenta o passo a passo do processo, com foco na atuação integrada entre empresa, corretora, seguradora e peritos, para que você entenda como cada etapa contribui para a recuperação do seu projeto e para a gestão de riscos a médio e longo prazo.

1) Notificação do sinistro e avaliação inicial

O primeiro momento é crucial: ele define o tom de toda a condução do sinistro. Assim que um dano acontece, é fundamental garantir a segurança das pessoas e do site, registrar rapidamente o ocorrido e acionar as partes envolvidas para iniciar a apuração. A comunicação precisa ocorrer de forma clara e documentada para evitar ambiguidades que possam comprometer a cobertura ou atrasar a análise.

Passo a passo do processo de sinistro no Seguro Risco de Engenharia
  • Registre data, hora, localização exata e circunstâncias do evento, com descrição objetiva.
  • Documente os danos com fotos, vídeos, plantas, esquemas elétricos ou estruturais e demais evidências disponíveis.
  • Preserve evidências e não retire ou desmonte estruturas sem orientação técnica e da seguradora.
  • Informe imediatamente o corretor responsável e a GT Seguros para abertura do sinistro e orientação dos próximos passos.

2) Abertura formal do sinistro e verificação de cobertura

Neste estágio a seguradora recebe a notificação, gera o número do sinistro e inicia a checagem de coberturas contratadas, limites e exclusões. É comum a designação de um time técnico (ajustador) e, em obras mais complexas, de um perito engenheiro para conduzir a primeira avaliação. A verificação de cobertura ajuda a confirmar o que está dentro do escopo contratado e quais condições podem exigir ajustes.

  • Avaliação de vigência da apólice, coberturas contratadas e exclusões aplicáveis ao caso.
  • Designação de um perito técnico ou ajustador responsável pela condução da apuração.
  • Solicitação de documentos complementares (contratos, plantas, cronogramas, seguros de obra, orçamentos iniciais de reparo).
  • Definição de prazos para respostas, visitas técnicas e envio de informações adicionais.

3) Investigação técnica e perícia no local

A perícia técnica é o momento em que o dano é observado de forma objetiva, com foco nas causas, na relação com o objeto segurado e na relação com as coberturas disponíveis. O perito ou a equipe designada analisa aspectos técnicos, inspeções de segurança e a necessidade de medidas de proteção para evitar agravamentos. Além disso, é comum a comparação entre o estado anterior do empreendimento e o estado atual para embasar a apuração.

  • Visita técnica ao local para inspeção de danos, inspeção de instalações e verificação de medidas de proteção.
  • Avaliação de causas, relação com o objeto segurado e verificação se os danos estão cobertos pelas cláusulas da apólice.
  • Coleta de evidências documentais: plantas, memoriais de cálculo, orçamentos de reparo, registros de manutenção e fotos adicionais.
  • Registro de limitações ou lacunas de informação e solicitação de documentos suplementares, se necessário.
FaseAçãoResponsávelPrazo estimado
NotificaçãoAbertura do sinistro, coleta básica de dadosCorretor/Seguradora0-24h
Análise de coberturaVerificação de vigência, coberturas e exclusõesSeguradora1-5 dias
Perícia técnicaInspeção no local, levantamentos e evidênciasPerito Engenheiro5-15 dias
Avaliação de danosOrçamentos, cálculos de reparo e apuração de responsabilidadeAvaliador/Equipe10-20 dias
LiquidaçãoAutorização de pagamento ou reserva de valoresSeguradora5-30 dias

4) Avaliação de danos, responsabilidade e cobertura

Com as evidências reunidas, ocorre a consolidação de danos diretos e indiretos, além da avaliação de responsabilidades envolvidas. Em seguros de risco de engenharia, é comum encontrar situações em que parte dos prejuízos decorre de fatores alheios ao empreendimento (condições climáticas, falhas de terceiros ou mudanças no cronograma). Nesse ponto, o objetivo é estabelecer o que está efetivamente coberto pela apólice, quais custos podem ser reembolsados e como as limitações da cobertura influenciam na indenização final.

  • Dano direto: perdas físicas decorrentes diretamente do evento coberto pela apólice.
  • Dano indireto: prejuízos decorrentes, como paralisações, demoras e custos adicionais de mitigação.
  • Franquias, limites de cobertura e condições especiais aplicáveis ao seu contrato.
  • Exclusões relevantes para evitar surpresas na liquidação, como danos preexistentes não relatados ou eventos fora do âmbito contratual.

5) Cálculo de indenização e protocolo de liquidação

O cálculo da indenização envolve a comparação entre custos de reparo ou reconstrução, orçamentos aprovados, depreciação, se cabível, e eventuais deduções previstas em contrato. Também é verificada a necessidade de ressarcimento de terceiros, custos de mão de obra, materiais, aluguel de equipamentos e eventuais substituições temporárias. A liquidação pode ser total ou parcial, dependendo da apuração final e da disponibilidade de recursos da seguradora.

  • Compilação de orçamentos e contratos de reparo aprovados para embasar o valor indenizável.
  • Avaliação de depreciação aplicável, quando prevista pela apólice, bem como de eventuais reduções por franquias.
  • Conciliação de pagamentos a fornecedores, mão de obra e materiais necessários para a reparação.
  • Autorização formal de liquidação pela seguradora e emissão de notas de crédito ou reembolsos, conforme o caso.

6) Liquidação, pagamento e encerramento

Na etapa de liquidação e encerramento, a seguradora realiza a quitação das indenizações conforme o que foi apurado e autorizado, liberando os recursos para a correção das perdas. Caso haja divergências entre as partes, pode haver revisões ou ajustes com novo orçamento. O encerramento formal envolve a documentação de encerramento do sinistro, o registro de aprendizados e a atualização de registros de risco para futuras(:,) obras.

  • Pagamento autorizado conforme disponibilidade de recursos e comprovação de danos e custos.
  • Emissão de termo de encerramento