Franquia no seguro auto: entendendo como ela funciona, impactos no orçamento e dicas para escolher bem
O que é franquia e por que ela existe no seguro de automóvel
A franquia é o valor que o segurado assume pagar do reparo do veículo em caso de sinistro coberto pela apólice. Em outras palavras, é a parte do custo que fica por conta do segurado, enquanto a seguradora cobre o restante do valor do conserto ou da indenização, conforme o tipo de cobertura contratado. A ideia por trás da franquia é compartilhar o risco entre a seguradora e o segurado, estimulando também uma gestão mais cuidadosa dos sinistros. Quando o custo do reparo é elevado, o peso da franquia tende a ser relativamente menor para o bolso do segurado, já que a seguradora arcará com a maior parte do valor. Por outro lado, quando o conserto fica abaixo da franquia, o segurado normalmente paga tudo e a seguradora não tem pagamento a realizar.
Franquia fixa versus franquia percentual: como funcionam na prática
Existem duas modalidades comuns de franquia no seguro auto:

- Franquia fixa (valor monetário): o valor da franquia é definido em reais (por exemplo, 1.000, 1.500 reais). Independentemente do valor do conserto, o segurado paga esse montante inicial e o restante é pago pela seguradora. Exemplo: se o conserto fica em 4.000 reais e a franquia é de 1.000, o segurado paga 1.000 e a seguradora cobre 3.000.
- Franquia percentual: a franquia é calculada com base no custo do conserto ou, às vezes, no valor do veículo. Pode ser 5%, 10% ou outro percentual estabelecido em apólice. Nesse caso, o segurado paga esse percentual do custo do reparo, e a seguradora cobre o restante. Em alguns cenários, o percentual pode se aplicar ao valor do conserto somente até um teto ou até o limite da cobertura.
É importante observar que a forma de aplicação da franquia pode variar entre seguradoras e entre coberturas. Em muitos contratos, a franquia se aplica apenas às coberturas de danos ao veículo próprio (como colisão, incêndio, vandalismo, roubo/furto) e não à cobertura de responsabilidade civil contra terceiros. Sempre vale conferir as cláusulas específicas da apólice para entender exatamente como a franquia é aplicada.
Como funciona a franquia em diferentes tipos de sinistros
O papel da franquia muda conforme a natureza do dano coberto:
- Colisão (acidente com outro veículo, com objetos ou com a via): geralmente envolve franquia. O valor referente ao conserto do seu carro após o acidente é dividido entre você (franquia) e a seguradora (restante).
- Colisão com itens não rodoviários (Vandalismo, queda de granizo, incêndio): também podem ter franquia, dependendo da apólice, já que o dano ao veículo é reparado pela cobertura de danos ao veículo próprio.
- Roubo e furto qualificado: costuma ter franquia aplicada sobre o valor do conserto ou sobre a indenização correspondente ao bem roubado/furtado, conforme as regras da apólice.
- Danos causados por terceiros (responsabilidade civil): não envolve franquia para o próprio veículo, porque a indenização de danos ao seu veículo é oriunda de uma cobrança de responsabilidade civil do responsável pelo dano. Ou seja, a franquia, na prática, não é aplicada nesse caso específico da cobertura de terceiros; a contraparte é quem arca com parte dos custos, dentro dos limites da apólice de responsabilidade civil da seguradora do outro motorista.
Para evitar surpresas, o ideal é conhecer exatamente quais coberturas incluem franquia e em quais situações ela é diferente ou não se aplica. Em muitos contratos, é comum que as coberturas de danos ao veículo próprio (Colisão, Cobertura Compreensiva) apresentem franquia, enquanto danos a terceiros costumam operar por meio de indenização direta pela seguradora da parte responsável, sem participação direta do segurado.
Impacto da franquia no custo do prêmio
A relação entre franquia e prêmio é conceitual: franquia maior tende a reduzir o valor do prêmio, enquanto franquia menor pode aumentar o custo mensal ou anual do seguro. Isso ocorre porque, ao aceitar uma franquia maior, o segurado assume parte maior do risco em cada sinistro, reduzindo a incidência de pagamentos pela seguradora. Como consequência, as seguradoras se veem menos expostas a sinistros frequentes ou de alto custo, o que se reflete em uma prêmio mais baixo. Por outro lado, se o segurado optar por uma franquia menor (ou até zero, em alguns produtos), há maior proteção para o bolso em caso de sinistro, mas o custo do seguro tende a subir para compensar o risco adicional assumido pela seguradora.
Além disso, o perfil do motorista, a idade do veículo, o histórico de sinistros e o valor do conserto esperado influenciam o ajuste de prêmio associado à franquia. Veículos mais valuosos costumam ter franquias mais altas para manter o equilíbrio entre o risco e o custo de reparo; já motoristas com histórico de sinistros frequentes podem enfrentar franquias mais altas ou prêmios maiores, na tentativa de compensar o risco aumentado. Ao planejar a contratação, vale comparar cenários com diferentes níveis de franquia para visualizar o impacto no custo total ao longo do tempo, considerando também a probabilidade de sinistros no seu uso cotidiano.
Como escolher a franquia ideal para o seu perfil
A decisão sobre qual nível de franquia adotar deve considerar alguns aspectos práticos:
- Orçamento disponível para eventual reparo: determine quanto você está disposto ou pode desembolsar em caso de sinistro sem comprometer seu orçamento mensal.
- Valor do veículo e custo de reposição: carros mais novos ou de alto valor tendem a justificar franquias menores para evitar surpresas elevadas na hora do conserto.
- Histórico de sinistros: quem costuma ter poucos ou nenhum sinistro pode tolerar franquias menores com prêmio mais baixo; quem tem histórico de sinistros pode preferir franquias maiores para reduzir o custo fixo do seguro.
- Risco de acidentes e tipo de uso: motoristas que trafegam em áreas com maior risco de colisões podem optar por uma franquia mais alta para reduzir custos, já que a probabilidade de sinistro é maior.
- Tipo de cobertura desejada: se a apólice incluir diversas coberturas (colisão, compreensiva, incêndio, roubo), vale entender como a franquia se aplica a cada uma e se há opção de franquias independentes para cada cobertura.
- Tempo de duração da apólice e fidelidade: algumas seguradoras oferecem vantagens ao manter o contrato por mais tempo ou ao consolidar várias coberturas sob a mesma apólice, o que pode incluir condições diferenciadas de franquia.
Para facilitar a comparação, liste cenários de sinistro de acordo com seu custo médio de reparo esperado e simule com diferentes valores de franquia. Considere também cenários de reparo baixo e alto para entender como o custo real varia ao longo do tempo. Uma boa prática é pedir cotações com pelo menos três opções de franquia (ex.: franquia de 1.000 reais, 2.000 reais e 3.000 reais) e comparar não apenas o valor do prêmio, mas também as condições associadas, como limites de cobertura, assistência 24 horas, carro reserva, carência, vigência e franquia em cada cobertura.
Franquia e diferentes coberturas: como isso se aplica na prática
É comum que as seguradoras apresentem diferentes regras de franquia dependendo da cobertura contratada. Algumas perguntas úteis para entender cada cenário:
- Quais coberturas incluem franquia? Colisão e compreensiva costumam ter, mas a franquia pode não se aplicar a danos a terceiros.
- A franquia é a mesma para colisão, incêndio e roubo ou cada cobertura tem a sua própria franquia?
- Existe a opção de franquia diferenciada por faixa de gasto (por exemplo, franquia menor para danos estéticos significativos e maior para danos maiores)?
- Há limites de indenização que possam influenciar o quanto a franquia realmente pesa no custo final do sinistro?
Ao avaliar propostas, observe se há a possibilidade de “franquia zero” para algumas situações, como em casos de roubo com reposição integral ou de colisão com terceiros, e se essa exceção aumenta o prêmio. Além disso, confirme se há a prática de “conserto com rede credenciada” — algumas redes autorizadas podem oferecer condições especiais de pagamento com franquias ajustadas.
Passo a passo para acionar a franquia no sinistro
Quando ocorre um sinistro coberto pela apólice, o processo envolve alguns passos práticos que ajudam a esclarecer como a franquia é aplicada e quais documentos são necessários:
- Registro do sinistro: comunique a seguradora o quanto antes, descrevendo o que aconteceu, local e circunstâncias. Em colisões, forneça dados de outros veículos envolvidos, se houver.
- Boletim de ocorrência (quando aplicável): dependendo da natureza do dano (roubo, furto, colisão grave), emitir ou não um BO pode ser requerido pela seguradora.
- Orçamento ou nota fiscal de reparo: obtenha orçamentos com oficinas autorizadas ou de confiança para estimar o custo do conserto e confirmar o valor da franquia.
- Documentação do veículo: registre os itens como placa, modelo, ano, número do chassi, para agilizar a apuração.
- Coleta de informações: guarde cópias de todos os documentos, recibos, comprovantes de pagamento da franquia, quando houver, e notas fiscais de peças e serviços.
- Acesso à oficina credenciada: em muitos planos, convênios com redes autorizadas proporcionam condições específicas de atendimento, o que pode influenciar o custo final do sinistro.
Durante o processo, a seguradora deverá esclarecer quanto será pago pela franquia, qual é o valor coberto pela apólice e quais são as opções de atendimento, como carro reserva, quando pertinente. Em casos de divergência, é adequado solicitar o detalhamento em contrato para compreender exatamente como os valores são calculados e quais são as obrigações de cada parte.
Erros comuns ao lidar com franquias e como evitá-los
Para quem não está acostumado com seguros, alguns equívocos podem gerar custos adicionais ou frustrações. Dicas rápidas para evitar problemas:
- Não confundir franquia com o valor do conserto: a franquia é o valor que você paga; o resto é pago pela seguradora, desde que o custo do conserto supere a franquia.
- Verificar se a franquia se aplica a cada cobertura: confirme se a franquia vale para colisão, incêndio, furto etc., pois pode haver diferenças por cobertura.
- Entender como a franquia afeta o prêmio: mesmo que você tenha uma franquia alta, o prêmio pode ser menor ao longo do tempo; compare custo total em um horizonte de 1, 2 ou 3 anos, não apenas o valor anual.
- Não assumir que franquia menor é sempre a melhor opção: se você usa muito o veículo, uma franquia menor pode não compensar pela elevação do prêmio. Faça simulações com diferentes cenários de uso.
- Negociação de condições com a seguradora: algumas seguradoras permitem ajustar a franquia durante a vigência da apólice, mediante atualizações contratuais. Informe-se sobre a possibilidade de readequar a franquia para reduzir custos futuros.
Como comparar propostas de seguro com foco na franquia
Ao comparar diferentes propostas, leve em conta não apenas o valor da franquia, mas também outros componentes que influenciam o custo total:
- Valor do prêmio anual: quanto você pagará pelo seguro ao longo de um ano ou mais.
- Franquia por cobertura: se houver, quais são as franquias associadas a cada cobertura (colisão, compreensiva, incêndio, roubo).
- Limites de cobertura: os limites máximos de indenização, especialmente para danos ao veículo, peças, e serviços de assistência.
- Condições de rede credenciada: quais oficinas têm acordo com a seguradora e qual é o impacto no tempo de atendimento e no custo do reparo.
Também vale considerar pacotes adicionais como assistência 24 horas, carro reserva, cobertura para acessórios, e serviços de guincho. Às vezes, uma franquia um pouco maior acompanhada de recursos adicionais e atendimento rápido compensa para quem depende do veículo no dia a dia.
Perguntas frequentes sobre franquia em seguro auto
- Franquia zero é sempre mais cara? Nem sempre. Em alguns casos, a ausência de franquia pode vir acompanhada de um prêmio maior e de limites de cobertura diferentes. Sempre compare o custo total ao longo do tempo.
- É possível mudar o nível de franquia durante a vigência? Algumas seguradoras permitem ajustes mediante acordo com a seguradora, desde que haja avaliação de risco e atualização contratual.
- Franquia menor significa menor custo de reparo? Não necessariamente. O custo do reparo pode depender de peça, mão de obra e rede de oficinas, além da própria política de prêmio da seguradora.
- Como saber se vale a pena manter a franquia alta? Considere seu orçamento, o valor do veículo, a probabilidade de sinistros, sua tolerância ao risco e o custo total esperado ao longo do tempo.
Considerações finais: qual é o equilíbrio ideal entre proteção e custo?
O equilíbrio entre proteção e custo é pessoal e depende do seu contexto. Em resumo, uma franquia maior tende a reduzir o prêmio e é indicada para quem tem maior tolerância a eventos de reparo de alto custo ou que não espera sinistros frequentes. Já uma franquia menor oferece maior proteção financeira em caso de sinistros, porém com prêmio mais elevado, o que pode ser adequado para quem depende do veículo diariamente e não pode ficar sem ele por muitos dias.
Para quem busca orientação prática na hora de escolher a franquia, vale considerar uma análise comparativa que inclua propostas de várias seguradoras, cenários com diferentes níveis de franquia e cenários de uso real. Além disso, vale ficar atento às condições da apólice: tempo de carência, carência de cobertura para serviços adicionais, opções de contratação com carona, peças originais versus paralelas, e a possibilidade de upgrade de coberturas sem onerar excessivamente o custo.
Se você está avaliando opções de seguro com franquia adequada ao seu perfil e quer uma visão mais clara das propostas disponíveis, a GT Seguros pode ajudar a comparar planos, esclarecer dúvidas sobre franquias específicas e indicar a melhor relação custo-benefício para o seu caso. Consulte a GT Seguros para conhecer opções que combinam o nível de proteção que você precisa com um custo compatível ao seu orçamento.
